Como será o “Novo Normal” para o mercado de bares e restaurantes?

O especialista em gestão de negócios de alimentos e bebidas e professor da nossa Escola, Rodrigo Malfitani, publicou em seu perfil do LinkedIn o texto abaixo. Confira!

A teoria da evolução das espécies de Charles Darwin diz que, na biologia, evolução é a mudança das características hereditárias de uma população de seres vivos de uma geração para outra. A pandemia mundial causada pela Covid-19 e, a busca desesperada por sobrevivência no “novo normal”, tem forçado bares e restaurantes e todo o setor de food service, a repensar conceitos, formatos de negócios, novas fontes de receita e o modo como as pessoas consumirão comida daqui pra frente. Ou pelo menos até que a vacina seja descoberta. Bares e restaurantes correm contra o tempo, numa corrida desenfreada “pelo ouro”.

O cenário é novo e desconhecido. Não se sabe como ou quando irá terminar. E isso causa medo e apreensão em todo o setor. A grande questão é que se, nesse possível novo cenário, tão cheio de novas regras e protocolos de segurança e higiene, com menos gente consumindo e consumindo menos, a conta vai fechar. Infelizmente, para muita gente não. Bares e restaurantes lutam no mundo todo para sobreviver de alguma maneira. O ambiente que já era (sempre foi!) difícil, se tornou ainda mais hostil. Muitos já respiram por aparelhos e, conforme o tempo vai passando, alguns vão sendo desligados da tomada. Redes ou grandes chefs estão fechando seus restaurantes por não terem como bancar seus negócios durante esse período. Milhões de demissões vão acontecendo no mundo todo e uma indústria inteira corre risco de colapsar.

Porém, conforme as notícias vão chegando, de países do Hemisfério Norte ou da Ásia, que estão abrandando suas medias preventivas ou saindo da crise, vamos vendo novidades e mudanças. Até mesmo em restaurantes estrelados como o Noma, do chef Rene Redzepi, que vai reabrir seu restaurante servindo burgers e um wine bar. Outros, vão colocando barreiras plásticas em suas mesas para separar e proteger os clientes, ou até mesmo colando mesas dentro de estufas, como fez o Mediamatic em Amsterdã. Garçons uniformizados com luvas e máscaras, como se estivessem saindo de um filme de ficção científica, vão aparecendo por aí.      

Mas como será a experiência das pessoas nos mais diversos e variados formatos de negócios do food service daqui pra frente? Que experiências as pessoas terão nos bares e restaurantes? Nas praças de alimentação dos shoppings centers? Nos hotéis? Nos restaurantes por quilo? Nos cafés e padarias? Nos buffets de festas e eventos? Nos carrinhos de rua e nas feiras? Nos botecos de esquina?

Em quais formatos os consumidores estarão dispostos a pagar por suas refeições? Mesmo que os formatos mudem e os negócios do mundo todo consigam se adaptar rapidamente ao novo ambiente, as pessoas estarão dispostas a pagar por experiências assim? Creio que por um tempo deixaremos a “era da experiência” um pouco de lado.

Como se CONECTAR com os clientes num período de necessidade de distanciamento social? Os que conseguirem sobreviver a tudo isso, precisarão se adaptar e evoluir rapidamente para entender os novos hábitos e comportamentos.

As pessoas não deixarão de comer, fato! Apenas mudarão seus hábitos. Temporária ou permanentemente? Não se sabe. Mas continuarão consumindo de alguma maneira. Consumidores precisam se alimentar, mesmo que apenas de forma fisiológica, para também continuar evoluindo. Assim caminha a humanidade.

Como a teoria de Darwin, os bares e restaurantes também precisarão evoluir. Terão que ser rápidos e inteligentes o suficiente para se adaptar e sobreviver nesse novo ambiente. Ou morrerão como os velhos dinossauros. “Uber yourself before you get kodaked”.

#emfrente!

Link da publicação: https://www.linkedin.com/pulse/charles-darwin-food-service-rodrigo-malfitani/

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