09
ago

O chef que ganhou na loteria

Chef do Google

A história de Charlie Ayers, o homem que abriu a cozinha do Google na época em que a internet ainda “discava”.

Você provavelmente nunca escutou o nome Charlie Ayers. O chef não esteve à frente de um restaurante famoso, não chegou perto de nenhuma estrela Michelin e jamais protagonizou um documentário sobre sua visão gastronômica. Charlie Ayers não é um chef estrela. Ele é um chef executivo, e um dos mais bem-sucedidos de que se tem notícia. Uma pessoa certa no lugar certo na hora exata: o funcionário número 56 do Google.

A carreira de Ayers começou nos bastidores da hotelaria como cozinheiro do Hilton de Nova Jersey. Foi só depois de cortar muita cebola que fez o curso de culinária na universidade Johnson & Wales, ao que seguiu com um período de estágios em restaurantes em Boston. Mas sua verdadeira história só começou quando decidiu largar tudo e rumar à Califórnia. Lá, ficou amigo de Chez Ray, o chef da banda de rock lisérgico The Grateful Dead, e trabalhou em troca de entradas francas para shows, eventualmente cuidando do buffet da banda por conta própria. Esse interlúdio eventualmente chegou ao fim pouco depois da morte do líder da banda, Jerry Garcia, em 1995. 

Em 1998, Charlie Ayers não estava muito longe de onde começara na Costa Oeste, mas seu tempo de turnê com a banda de rock mitológica o colocou no radar de Sergey Brin, um dos co-fundadores de uma pequena empresa de buscas na internet chamada Google. Sergey convidou o chef a conhecer o quartel-general que, ele jurava, cresceria muito rapidamente dali a pouco: um escritório sem cozinha com uma dúzia de funcionários em Palo Alto. Ayers recusou o convite. Preferiu continuar como chef particular de uma família de ricaços que não apreciava seu trabalho. Oito meses depois, porém, o destino voltou a esmurrar sua porta. A home do Google.com anunciava em letras garrafais: “Chef de Cozinha – os googlers estão com fome”. A mesma empresa que ele havia recusado agora realmente precisava de um chef executivo para manter seus 45 funcionários concentrados no novo escritório em Mountain View. Dessa vez, Charlie topou. Ele tinha 33 anos se tornou o funcionário mais velho da empresa em novembro de 1999.

Nos seis anos que ficou no Google, o chef introduziu o conceito de comida orgânica na companhia, inaugurando um dos pilares da alimentação no Vale do Silício que hoje também permeia a gastronomia mundial. Ayers eventualmente comandou dez restaurantes com cinco sub-chefs e 150 funcionários espalhados pela enorme sede da empresa. Como foi um dos primeiros funcionários, recebeu cotas de capital como parte do pagamento. Em 2004, quando as ações da empresa foram a público, o chef tornou-se milionário. No ano seguinte, pediu as contas. Hoje, passa seu tempo cuidando de um singelo café em Palo Alto, o Calafia. Não que ele precise.

Tendemos a pensar em chefs através do prisma do artista. Auteurs que perseguem uma visão, expressam subjetividades e memórias pela transformação do alimento. E está certo, esses visionários existem. Mas assim como o cinema não é feito apenas por diretores, na gastronomia existem espaços que só podem ser ocupados por chefs com visão de negócio, capacidade de liderar equipes expansivas e criar verdadeiras sinfonias de estoques, produtos, praças, pessoas. É a parte “executiva” do termo “chef executivo”, um conjunto de habilidades que qualquer profissional da cozinha precisa desenvolver, mesmo se pretende ser o Pollock das panelas. Pense a respeito, quantos negócios no Brasil precisam de uma personalidade na cozinha, e quanto precisam de alguém que assuma uma área e sirva com competência e constância? 

Charlie Ayers não era nem é uma estrela. Mas ele ganhou na loteria. E, como diria um tio-avô viciado em jogo, você só ganha na loteria se comprar um bilhete.

 


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